autor | ivar corceiro
capa | sara corceiro
editora | edições mortas 2005
sítio oficial

[ excerto

Caiu morta à minha frente. Morta pela solidão dum generoso dia de Verão, morta pela simpatia do vendedor de ferros eléctricos a vapor, morta pela garganta. Muito morta mesmo.
Passei ao lado dela com muito cuidado para não deixar derreter o meu sorvete de limão. Tentei sacudi-la com a ponta do meu sapato, numa zona do vestido que não estava muito suja, à espera dum ligeiro sopro de vida. Nada.
Caí morto ao lado dela. Morto pela acidez que invadiu o meu sorvete de limão, morto pelo trabalhar gripado duma mota de cinquenta centímetros cúbicos, morto pelo filho da puta do presidente dos Estados Unidos. Muito morto mesmo.
Alguém passou ao meu lado e sacudiu-me com a ponta do pé..

 
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autor | ivar corceiro
editora | Ulisseia 2008
baseado no blogue do mesmo autor: não compreendo as mulheres

[ excerto

Ela - Preciso de mudar alguma coisa na minha vida, só que não sei o quê.
Eu - Lá vem essa conversa...
Ela - Qual conversa?
Eu - Nada, nada.
Ela - Costumo dizer-te muitas vezes que preciso mudar alguma coisa na minha vida, é?
Eu - Não, não...
Ela - Uma das coisas que tenho que mudar é de amigos. Preciso de amigos a quem posso dizer que preciso de mudar alguma coisa na minha vida.
Eu - Mas se precisas de amigos desses é porque o dizes muitas vezes.
Ela - Calas-te?
Eu - Calo... pronto.

 

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autor | ivar corceiro
edição gratuita em pdf (96 kb) 2010

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é só uma brochura com poesias sobre uma puta chamada Gaivota, feita numa noite em que me apeteceu fazê-la. Mais nada.


[ excerto


No teu corpo nu

Disparo uma bala de esperma branco

Não estou à espera que morras



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